Split Payment do IBS/CBS: Como o Setor Financeiro Negocia Custos e Riscos para 2027 (e o Que Sua Empresa Precisa Fazer Agora)
O split payment do IBS/CBS chega em 2027 para transações B2B. O setor financeiro e o governo negociam custos e riscos, exigindo que empresas se preparem já.
- Split Payment
- IBS
- CBS
- Reforma Tributária
- IVA Dual
- Compliance Fiscal
- Fluxo de Caixa
- Setor Financeiro
- PLP 68/24
- Devedor Contumaz

Resposta direta
O split payment do IBS/CBS chega em 2027 para transações B2B. O setor financeiro e o governo negociam custos e riscos, exigindo que empresas se preparem já.
Perguntas-chave
- O que Split Payment muda na prática para o contribuinte?
- Como IBS afeta planejamento e tomada de decisão?
Split Payment do IBS/CBS: Como o Setor Financeiro Negocia Custos e Riscos para 2027 (e o Que Sua Empresa Precisa Fazer Agora)
Split Payment do IVA Dual: O Que Muda no Fluxo de Caixa das Empresas em 2027
O split payment — mecanismo automático de separação e recolhimento do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — entrará em operação em janeiro de 2027 para transações B2B, conforme previsto na Lei Complementar da Reforma Tributária (PLP 68/24). A novidade, porém, vem acompanhada de dois desafios críticos para CFOs e gestores tributários: 1) a negociação dos custos operacionais com o setor financeiro e 2) os riscos de segurança nas operações de alto valor.
Como Funcionará o Split Payment na Prática
- Automação instantânea: O sistema identificará o valor do tributo (IBS + CBS) em cada transação e o direcionará automaticamente para os cofres públicos, enquanto o restante segue para o fornecedor.
- Fase inicial (2027): Aplicável apenas a transações B2B via boletos e Pix (QR Code, por exemplo), com adesão opcional — o pagador ou fornecedor poderá solicitar a operação "com maionese" (termo informal para o split ativado).
- Crédito tributário garantido: O sistema validará em tempo real o crédito do comprador, reduzindo riscos de glosas futuras.
Custos e Remuneração: O Ponto de Tensão com o Setor Financeiro
A Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) — que reúne Febraban, Anbima, B3 e outros — alega que o split payment não é uma obrigação acessória tradicional, mas um serviço de infraestrutura que exige:
- Manuseio de grandes volumes de dados em tempo real.
- Garantias de segurança contra fraudes e ataques cibernéticos (especialmente em operações de alto valor).
- Integração com sistemas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.
A Fin defende que a remuneração pelo serviço seja arcada pela Receita Federal, seguindo o modelo já utilizado para outras arrecadações (como o Darf). Até o momento, porém, não há consenso sobre valores ou mecanismos de pagamento. Segundo Cristiane Coelho, presidente da Fin:
"O split payment não é nosso core business. Não criamos a base tributável, mas somos responsáveis por operacionalizá-la. A lógica de remuneração deve ser clara para evitar distorções, como alíquotas infladas por precaução."
Impactos para Empresas: Fluxo de Caixa e Compliance
Empresas que operam no regime do IVA Dual (IBS + CBS) precisam se preparar para:
- Redução de capital de giro: O recolhimento automático do tributo no momento da transação pode afetar o fluxo de caixa, especialmente em setores com margens apertadas (ex: varejo, serviços).
- Novas obrigações acessórias: Embora o split payment reduza a burocracia no longo prazo, a fase de transição exigirá adaptação dos sistemas ERP e conciliação com os novos layouts de pagamento.
- Riscos de conformidade: O sistema será um aliado no combate à sonegação (inclusive para o Devedor Contumaz), mas falhas na integração podem gerar autuações por créditos indevidos.
- Custos de adaptação: Bancos e fintechs já trabalham na adequação dos sistemas, mas empresas precisarão treinar equipes e revisar contratos com fornecedores para incluir cláusulas de split payment.
Cronograma e Próximos Passos
Para que o split payment entre em operação em 2027, são necessárias:
- Regulamentação do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal: Definição de layouts, prazos e responsabilidades.
- Resoluções do Banco Central: Adequação das normas de Pix e boletos para suportar o split.
- Acordo sobre remuneração: Negociação final entre Fin e governo sobre os custos operacionais.
Recomendação para CFOs: Mapeie desde já as transações B2B que serão impactadas e avalie o impacto no fluxo de caixa. A adesão opcional em 2027 pode se tornar obrigatória em fases posteriores, como o "split powerful" (para consumidor final).
Riscos e Oportunidades
- Oportunidade: Redução da sonegação pode levar a uma queda de até 2 pontos percentuais nas alíquotas do IBS/CBS, segundo estimativas do setor privado.
- Risco: Atrasos na regulamentação ou falhas na integração dos sistemas podem gerar insegurança jurídica e custos adicionais.
Para se aprofundar: Confira nosso guia exclusivo sobre como preparar sua empresa para o IVA Dual em 2026.


