Simples Nacional na Mira do IBS: Varejistas Perdem Isenções e Enfrentam Desvantagem Competitiva a Partir de 2026
A partir de 2026, empresas do Simples Nacional perdem isenções e enfrentam desvantagem competitiva com o IVA Dual. Entenda a reforma e como se preparar.
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- IVA Dual
- Compliance Fiscal
- Varejo
- Cesta Básica
- Substituição Tributária
- PLP 68/24
Resposta direta
A partir de 2026, empresas do Simples Nacional perdem isenções e enfrentam desvantagem competitiva com o IVA Dual. Entenda a reforma e como se preparar.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
Simples Nacional na Mira do IBS: Varejistas Perdem Isenções e Enfrentam Desvantagem Competitiva a Partir de 2026
O Que Muda para o Varejo a Partir de 2026: Simples Nacional Fora das Isenções do IVA Dual
Empresas optantes pelo Simples Nacional enfrentarão uma desvantagem competitiva estrutural com a entrada em vigor do IVA Dual (IBS + CBS), prevista para 2026. A Lei Complementar PLP 68/24, aprovada pelo Senado em dezembro, exclui o regime simplificado dos benefícios de isenção e alíquotas reduzidas aplicáveis a produtos como:
- Cesta básica (30 itens com alíquota zero);
- Medicamentos (redução de 60% na alíquota);
- Hortifrutigranjeiros (isenção prevista para o IBS).
Enquanto empresas do regime normal (IBS/CBS) terão tributação zero sobre essas vendas, os varejistas do Simples continuarão recolhendo impostos sobre o faturamento desses produtos, conforme as alíquotas progressivas da tabela do regime. "É uma distorção que penaliza os pequenos negócios e encarece produtos essenciais para a população", alerta Clovis Cabrera, consultor tributário da ACSP e ex-coordenador da Administração Tributária da Sefaz-SP.
Impacto no Fluxo de Caixa: Custos Ocultos da Não-Cumulatividade Plena
A exclusão do Simples Nacional dos benefícios do IVA Dual gera dois problemas críticos:
- Perda de competitividade: Pequenos mercados, farmácias e açougues pagarão mais impostos que concorrentes de maior porte sobre os mesmos produtos, aumentando preços ao consumidor final ou reduzindo margens.
- Complexidade operacional: Para acessar as isenções, o varejista precisaria migrar para o regime normal do IBS/CBS. Porém, se comercializar outros produtos não beneficiados (ex: eletrodomésticos, vestuário), a mudança pode não ser vantajosa devido à carga tributária global.
"O Simples foi criado para simplificar, mas a reforma o transforma em um regime de segunda classe", critica Cabrera. A emenda proposta pelo senador Isalci Lucas (PL-DF), que buscava estender proporcionalmente as reduções ao Simples, foi rejeitada pelo Senado.
Substituição Tributária: Retrocesso ou Solução?
O PLP 68/24 reintroduz a Substituição Tributária (ST) para bebidas alcoólicas, água mineral, refrigerantes e cigarros — um mecanismo criticado por especialistas por ser incompatível com a lógica do IVA Dual. Segundo Cabrera:
- Complexidade fiscal: A ST pressupõe controle territorial, mas o IBS/CBS será cobrado no destino, pulverizando contribuintes e aumentando o risco de sonegação.
- Risco jurídico: Os Estados serão obrigados a ressarcir contribuintes quando o valor de venda for inferior à margem presumida de lucro, gerando contencioso tributário.
"A ST é um remendo que contraria a essência da reforma, que é a não-cumulatividade plena", avalia o consultor.
Alíquota Padrão do IVA Sobe para 28,55%: O Que Esperar
O Senado elevou a alíquota de referência do IVA de 27,97% (versão da Câmara) para 28,55%, segundo estimativas preliminares do relator Eduardo Braga (MDB-AM). O impacto será sentido em:
- Custos de adaptação: Sistemas de ERP e contabilidade precisarão ser atualizados para lidar com o cálculo do crédito fiscal e novas obrigações acessórias.
- Planejamento tributário: Empresas do Simples devem simular cenários para decidir entre permanecer no regime ou migrar para o IBS/CBS, considerando a perda de benefícios.
- Compliance: A transição exigirá treinamento de equipes para evitar erros no recolhimento e aproveitamento de créditos.
Como Se Preparar: Checklist para Varejistas
Para mitigar riscos, CFOs e contadores devem:
- Mapear produtos beneficiados: Identificar quais itens da cesta básica ou medicamentos são vendidos e calcular o impacto da perda de isenções.
- Simular regimes: Comparar a carga tributária no Simples vs. IBS/CBS, considerando a não-cumulatividade plena.
- Revisar contratos: Cláusulas de repasse de custos tributários em contratos com fornecedores e clientes.
- Atualizar sistemas: Garantir que o ERP esteja preparado para o cálculo do IVA Dual e novas obrigações acessórias.
- Monitorar o PLP 68/24: A Câmara ainda pode alterar o texto. Acompanhar emendas que beneficiem o Simples Nacional.
Próximos Passos: O PLP 68/24 retorna à Câmara dos Deputados para análise das mudanças feitas pelo Senado. A expectativa é que a votação ocorra no primeiro semestre de 2025, com a entrada em vigor do IBS/CBS prevista para 2026.
Fonte: Análise do PLP 68/24 e entrevistas com Clovis Cabrera (ACSP) e Eduardo Braga (Senado).


