Simples Nacional no B2B: Como a Reforma Tributária vai drenar R$ 28 bi em créditos tributários e ameaçar contratos a partir de 2026

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

Reforma Tributária (PLP 68/24) drenará R$ 28 bilhões em créditos tributários de PMEs do Simples Nacional no B2B a partir de 2026, ameaçando contratos.

Simples Nacional no B2B: Como a Reforma Tributária vai drenar R$ 28 bi em créditos tributários e ameaçar contratos a partir de 2026

Resposta direta

Reforma Tributária (PLP 68/24) drenará R$ 28 bilhões em créditos tributários de PMEs do Simples Nacional no B2B a partir de 2026, ameaçando contratos.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

Simples Nacional no B2B: Como a Reforma Tributária vai drenar R$ 28 bi em créditos tributários e ameaçar contratos a partir de 2026

O que muda no fluxo de caixa das PMEs já em 2026

As pequenas e médias empresas (PMEs) enquadradas no Simples Nacional que operam no modelo B2B enfrentarão um choque de competitividade a partir de 2026, quando entra em vigor a Reforma Tributária (PLP 68/24). Um estudo exclusivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) aponta que 70% das empresas do Simples não vendem para o consumidor final, mas sim para outras empresas — justamente o perfil mais vulnerável às novas regras do IVA Dual (IBS + CBS).

Créditos tributários: o novo gargalo para contratos B2B

Hoje, empresas do Lucro Real ou Presumido tomam créditos de PIS/Cofins (9,25%) sobre notas fiscais de fornecedores do Simples, independentemente do regime. Com a reforma, a lógica muda:

  • Regra atual: Crédito de 9,25% sobre o valor da nota, mesmo para fornecedores do Simples.
  • Nova regra (IBS/CBS): Crédito equivalente ao imposto efetivamente pago pelo fornecedor. Empresas do Simples pagarão alíquotas reduzidas (até 15,5% no teto), mas gerarão créditos insuficientes para compensar os 28% de IBS/CBS que seus clientes (Lucro Real/Presumido) pagarão.

Resultado: fornecedores do Simples se tornarão menos atrativos para grandes empresas, que buscarão parceiros capazes de gerar créditos tributários plenos.

"As PMEs do Simples não serão mais interessantes para cadeias industriais ou prestadores de serviços especializados", alerta Carlos Pinto, diretor do IBPT e autor do estudo.

Setores mais afetados: logística, TI e confecções lideram perdas

O estudo "Raio-X do Simples Nacional em 2025" mapeou os segmentos com maior exposição ao risco:

  • Tecnologia e serviços digitais: 78% das empresas de TI no Simples atendem grandes corporações. Com a não-cumulatividade plena do IBS/CBS, clientes migrarão para fornecedores que gerem créditos integrais.
  • Confecções: 84,6% das empresas do Simples fornecem para lojistas (B2B). Sem créditos robustos, perderão espaço para indústrias ou distribuidores fora do regime simplificado.
  • Logística e transporte de cargas: 62,3% das empresas do setor estão no Simples. Prestadores que atendem indústrias enfrentarão pressão para sair do regime.

Custos de adaptação: o que fazer agora para evitar perdas

Empresas do Simples que atuam no B2B precisam agir em três frentes para mitigar riscos:

  1. Reavaliar o enquadramento tributário:
    • Simular a migração para Lucro Presumido ou Lucro Real, considerando o impacto no fluxo de caixa e na geração de créditos.
    • Analisar a viabilidade de segregação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), conforme sugerido pelo governo.
  2. Revisar contratos com clientes:
    • Incluir cláusulas de repasses de custos tributários ou ajustes de preços para compensar a perda de competitividade.
    • Negociar prazos de pagamento alinhados ao split payment (mecanismo de recolhimento automático do IBS/CBS).
  3. Investir em compliance fiscal:
    • Adotar sistemas de gestão de créditos tributários para otimizar a recuperação de IBS/CBS.
    • Capacitar equipes para lidar com novas obrigações acessórias, como a emissão de notas fiscais eletrônicas (NF-e) com campos específicos para o IVA Dual.

Risco invisível: o que não fazer pode custar caro

Empresas que ignorarem as mudanças correm o risco de:

  • Perder contratos para concorrentes fora do Simples, capazes de gerar créditos tributários plenos.
  • Aumentar custos operacionais com a necessidade de contratar assessorias especializadas em planejamento tributário de última hora.
  • Enfrentar multas por descumprimento das novas regras de não-cumulatividade ou retenção do IBS/CBS.

"A saída é mobilizar o setor e buscar soluções coletivas, como a criação de consórcios de compras para aumentar o poder de barganha", sugere Pinto. "Entidades representativas, como Sebrae e associações setoriais, precisam atuar como facilitadoras nesse processo."

Cronograma crítico: prazos que PMEs não podem ignorar

Ano O que muda Impacto para PMEs do Simples
2026 Início da cobrança da CBS (alíquota de 12%) e do IBS (alíquota estadual/municipal, estimada em 16%). Clientes B2B começarão a exigir fornecedores com créditos tributários robustos.
2027 Extinção do PIS/Cofins e início da não-cumulatividade plena do IBS/CBS. Empresas do Simples perderão competitividade em contratos de longo prazo.
2029 Fim do Simples Nacional para empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões (teto atual). PMEs terão que migrar para outros regimes, com impacto direto no fluxo de caixa.

Checklist para PMEs: como se preparar

Para evitar surpresas, CFOs e contadores devem seguir este roteiro:

  • Até dezembro/2025:
    • Realizar simulações tributárias comparando o Simples com Lucro Presumido/Real.
    • Identificar clientes estratégicos no B2B e iniciar conversas sobre ajustes contratuais.
  • 1º trimestre/2026:
    • Implementar sistemas de gestão de créditos tributários para IBS/CBS.
    • Treinar equipes para lidar com as novas obrigações acessórias (ex: split payment).
  • 2027 em diante:
    • Monitorar a alíquota efetiva do IBS (que será definida por estados/municípios) e ajustar preços.
    • Revisar anualmente o enquadramento tributário, considerando mudanças no faturamento.

Conclusão: o Simples não será mais simples

A Reforma Tributária promete simplificar o sistema, mas para as 7 milhões de empresas do Simples Nacional, a complexidade aumentará. O modelo B2B, em especial, exigirá planejamento tributário agressivo e adaptações rápidas para evitar perdas de mercado.

"Quem não se preparar agora corre o risco de ser engolido pela concorrência", finaliza Carlos Pinto.

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