Reforma Tributária: Impactos e Estratégias para a Logística em 2026

Reforma TributáriaAtualizado 07/05/2026, 15:35

🚛 A Reforma Tributária e a desoneração da folha de pagamentos estão transformando a logística brasileira. Descubra como se adaptar às novas regras e manter a competitividade no setor.

Reforma Tributária: Impactos e Estratégias para a Logística em 2026

Resposta direta

🚛 A Reforma Tributária e a desoneração da folha de pagamentos estão transformando a logística brasileira. Descubra como se adaptar às novas regras e manter a competitividade no setor.

Perguntas-chave

  • O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
  • Como Logística afeta planejamento e tomada de decisão?

Reforma Tributária: O que muda para a logística em 2026

A recente aprovação da Reforma Tributária pelo Congresso Nacional trouxe mudanças significativas para o setor logístico, especialmente no que diz respeito à tributação no consumo. A principal alteração envolve a substituição de tributos como o ICMS e o ISS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), um tributo sobre valor agregado que será aplicado no destino, e não na origem.

Impactos na malha logística

A mudança visa equalizar a tributação entre estados e eliminar a guerra fiscal, impactando diretamente na malha logística das empresas. Atualmente, as diferentes alíquotas de ICMS entre os estados são critérios elementares para o posicionamento de uma rede logística. Com a implementação do IBS, aspectos como substituição tributária, benefícios fiscais e o sistema de crédito/débito complicam os estudos logísticos e frequentemente limitam as empresas a adotarem modelos de Supply Chain baseados apenas em produtividade operacional.

Segundo Alessandro Dessimoni, vice-presidente jurídico da Associação Brasileira de Logística (Abralog), o cenário tributário brasileiro, já considerado um dos mais complexos do mundo, poderá se tornar ainda mais desafiador com as reformas em curso. “O nosso país precisará enfrentar desafios e complexidades significativas no campo tributário. Isto se deve às várias mudanças legislativas ocorridas no final de 2023, que moldaram o panorama fiscal global”, disse.

Oportunidades e desafios para o setor

Apesar das incertezas, a Reforma Tributária também abre oportunidades para setores como o farmacêutico. Ricardo Canteras, diretor comercial da Temp Log, salientou que a simplificação tributária, com a isenção de impostos sobre medicamentos, pode transformar o Brasil em um hub logístico global para a indústria farmacêutica. “A redução dos custos operacionais pode tornar os medicamentos brasileiros mais acessíveis e competitivos no mercado internacional, atraindo investimentos e ampliando a demanda por serviços logísticos especializados”, afirmou o executivo.

No entanto, a adaptação às novas realidades fiscais e logísticas trará desafios também para o mercado de real estate. Durante o evento da HSI, a sócia-fundadora e CEO da EREA, Clarisse Etcheverry, destacou que as empresas precisarão encontrar soluções inovadoras e flexíveis para atender às demandas logísticas crescentes. “Veremos um aumento na demanda por armazenagem dentro dos grandes centros urbanos, especialmente com a consolidação de operações e a terceirização de serviços logísticos.”

Desoneração da folha de pagamentos

Outro tema sensível para o setor, especialmente para o transporte rodoviário de cargas, é a desoneração da folha de pagamentos. Implementada em 2011 para reduzir os encargos trabalhistas e estimular a geração de empregos, a política tem sido um tema de intensas negociações entre o governo e o Congresso Nacional.

Em 2024, essa política continua a ser uma questão central para setores estratégicos, como o transporte de cargas. Após um veto do Governo Federal no fim do ano passado, a medida — que permite a 17 setores da economia, incluindo transporte, pagarem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, ao invés de 20% sobre a folha de salários — foi estendida até o fim deste ano. O cronograma proposto prevê uma redução gradual até 2028.

Segundo as entidades do setor, a desoneração é considerada essencial para o transporte de cargas, em função da geração de empregos possível por meio da medida. Em entrevista exclusiva para a MundoLogística, a diretora-executiva da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL), Marcella Cunha, destacou que a reoneração da folha de pagamentos resulta em impactos diretos na capacidade das empresas de manter e expandir seus quadros de funcionários. “A desoneração nos permite não apenas manter os empregos, mas também investir na qualificação e nas condições de trabalho dos nossos colaboradores. Sem ela, muitas empresas podem rever seus projetos, o que resultaria em uma cadeia de efeitos negativos para o setor”, afirmou.

Logística do Futuro

O impacto dos aspectos regulatórios no setor terá espaço na agenda do Logística do Futuro, evento promovido pela MundoLogística que reunirá profissionais e especialistas do setor para discutir e explorar as tendências, inovações e melhores práticas que moldarão o futuro da logística. Com mais de 70 palestrantes e 80 empresas expositoras, o evento será realizado nos dias 2 e 3 de outubro no Transamérica Expo, em São Paulo.