Reforma Tributária: O Risco de Ruptura na Cadeia de Valor do Turismo
O setor de turismo alerta: as exceções parciais no IVA Dual ameaçam a competitividade da cadeia. Sem ajustes no Senado, o aumento real da carga tributária pode ser inevitável. ✈️🏨📉

Resposta direta
O setor de turismo alerta: as exceções parciais no IVA Dual ameaçam a competitividade da cadeia. Sem ajustes no Senado, o aumento real da carga tributária pode ser inevitável. ✈️🏨📉
Perguntas-chave
- O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
- Como Turismo afeta planejamento e tomada de decisão?
A implementação da Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2023) trouxe um desafio estrutural sem precedentes para o setor de turismo brasileiro. Embora a Câmara dos Deputados tenha contemplado segmentos específicos com regimes diferenciados, como hotelaria, parques temáticos e aviação regional, a fragmentação do benefício gera um risco sistêmico para toda a cadeia produtiva. CFOs e gestores do setor enfrentam agora a difícil tarefa de navegar em um cenário onde a não-cumulatividade plena pode se tornar um pesadelo operacional.
O Dilema do Regime Diferenciado e o "Gap" de Créditos
O grande ponto de atenção reside na natureza dos serviços turísticos: trata-se de uma atividade com baixa geração de insumos passíveis de apropriação de créditos de IBS e CBS. Diferente da indústria, onde o fluxo de crédito é constante, agências de viagens e operadores turísticos dependem intensamente de mão de obra e serviços terceirizados. Com a transição para o IVA Dual, a impossibilidade de recuperar créditos sobre grande parte das despesas operacionais resultará em uma "cumulatividade oculta", empurrando a carga tributária para níveis que podem inviabilizar margens.
A Distorção na Cadeia de Valor
A articulação que excluiu elos críticos, como agências de viagens, empresas de eventos e o setor aéreo não regionalizado, cria uma distorção competitiva grave. A comparação com o setor da construção civil — que obteve sucesso ao incluir tanto construtoras quanto intermediadoras imobiliárias no regime de exceção — é constante. Quando a tributação é assimétrica dentro de uma mesma cadeia de valor, ocorre o efeito de "canibalização de margem". Se uma agência de turismo for tributada pela alíquota padrão estimada, enquanto seu fornecedor de hotelaria mantém um regime reduzido, a estrutura de preços ao consumidor final sofre uma distorção que dificulta a precificação competitiva e o planejamento financeiro de longo prazo.
Impactos Operacionais e Compliance
- Adaptação de Sistemas (ERP): A complexidade de segregar operações sujeitas a diferentes alíquotas ou regimes de exceção dentro de um mesmo contrato de pacote turístico demandará uma reengenharia nos sistemas de faturamento e emissão de notas fiscais.
- Gestão de Fluxo de Caixa: A transição exige uma revisão urgente da política de preços. O aumento da carga tributária, se repassado integralmente ao consumidor final, poderá frear a demanda em um setor ainda em recuperação pós-pandemia.
- Riscos de Judicialização: A falta de clareza sobre o enquadramento de companhias aéreas na categoria de "aviação regionalizada" é um convite ao contencioso fiscal, onerando o departamento jurídico das empresas.
A Estratégia para a Próxima Etapa
O setor, liderado por entidades como a CNC e a Braztoa, está concentrando seus esforços no Senado Federal. A estratégia de inteligência fiscal passa pela coleta de dados robustos que demonstrem como o efeito cascata do imposto sobre os serviços acessórios afeta, em última análise, os próprios setores já beneficiados pela Reforma. O pleito central é a isonomia: a inclusão de toda a cadeia de turismo no regime diferenciado para garantir que a simplificação tributária realmente se traduza em ganho de eficiência econômica, e não apenas em uma transferência de carga para os elos mais frágeis da prestação de serviços.
Em suma, para CFOs e controladores, o momento não é de passividade. O monitoramento da regulamentação complementar e a participação ativa nas consultas públicas do Comitê Gestor do IBS são passos fundamentais para mitigar os riscos de uma transição que, se mal gerida, pode comprometer o fluxo de caixa das empresas pelos próximos anos.


