Reforma Tributária 2024: Como o IBS e CBS vão pressionar as margens do setor de saúde a partir de 2026
Estudo do IBPT e IDV revela que a unificação de PIS/Cofins e ICMS/ISS no IVA Dual (IBS+CSB) pode elevar custos em até 12% para hospitais e clínicas. Saiba como se preparar.
Resposta direta
Estudo do IBPT e IDV revela que a unificação de PIS/Cofins e ICMS/ISS no IVA Dual (IBS+CSB) pode elevar custos em até 12% para hospitais e clínicas. Saiba como se preparar.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no fluxo de caixa das empresas de saúde a partir de 2026?
O setor de saúde enfrenta um dos maiores desafios da Reforma Tributária (EC 132/23 e PLP 68/24): a substituição de PIS, Cofins, ICMS e ISS pelo IVA Dual (IBS + CBS), com não-cumulatividade plena. Segundo estudo inédito do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) em parceria com o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), a mudança pode:
- Aumentar custos operacionais em até 12% para hospitais e clínicas, devido à perda de isenções e alíquotas reduzidas em medicamentos e equipamentos médicos.
- Reduzir margens de lucro em segmentos sensíveis a preços, como planos de saúde e laboratórios, com risco de repasse integral ao consumidor final.
- Exigir investimentos imediatos em compliance para evitar penalidades na transição, especialmente na gestão de créditos tributários do IBS e CBS.
Impacto por segmento: onde a carga tributária mais pesará
A reforma prevê alíquotas diferenciadas para bens essenciais, mas a unificação dos tributos pode neutralizar benefícios. Veja os pontos críticos:
- Medicamentos: Perda de isenções parciais de PIS/Cofins e ICMS, com possível aumento de 5% a 8% no custo final.
- Equipamentos médicos: Fim de incentivos fiscais para importação, elevando custos em até 15% para hospitais que dependem de tecnologia estrangeira.
- Serviços hospitalares: Substituição do ISS (alíquota média de 2% a 5%) pelo IBS (alíquota estimada em 25% no IVA Dual), com impacto direto na precificação de diárias e procedimentos.
Estratégias de mitigação: o que CFOs e contadores devem priorizar agora
Com a entrada em vigor do IBS e CBS prevista para 2026, empresas do setor precisam agir em três frentes:
- Revisão de estruturas de custos:
- Mapear cadeias de suprimentos para identificar gargalos tributários (ex: medicamentos com alíquotas reduzidas hoje).
- Renegociar contratos com fornecedores, especialmente de equipamentos com alto valor agregado.
- Investimento em compliance e tecnologia:
- Implementar sistemas de gestão de créditos tributários para aproveitar a não-cumulatividade plena do IBS e CBS.
- Treinar equipes para lidar com novas obrigações acessórias, como a declaração unificada do IVA Dual.
- Diversificação e advocacy:
- Explorar segmentos menos impactados, como telemedicina e serviços de home care, que podem ter alíquotas diferenciadas.
- Participar de grupos de trabalho com o governo para influenciar a regulamentação do Imposto Seletivo (IS) sobre produtos nocivos à saúde (ex: cigarros, bebidas açucaradas).
Riscos para investidores: por que o setor de saúde está em alerta
A incerteza regulatória e a perspectiva de redução de lucratividade já afetam o apetite de investidores. Dados do IBPT indicam:
- Queda de 7% nos investimentos em expansão de hospitais privados desde a aprovação da EC 132/23.
- Aumento de 20% na demanda por consultorias tributárias especializadas em saúde, sinalizando busca por otimização fiscal.
- Reavaliação de projetos de PPPs (Parcerias Público-Privadas) na saúde, devido ao risco de desequilíbrio econômico-financeiro.
Checklist para 2024: o que fazer nos próximos 12 meses
Para se antecipar às mudanças, recomendamos:
- Realizar due diligence tributária para identificar exposição a riscos na transição.
- Simular cenários de impacto com base nas alíquotas estimadas do IBS (25%) e CBS (12%).
- Participar de audiências públicas sobre a regulamentação do PLP 68/24, que detalhará as regras do IVA Dual.
- Revisar contratos com operadoras de planos de saúde para incluir cláusulas de repasse de custos tributários.
Conclusão: adaptação ou perda de competitividade
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de impostos, mas uma reengenharia de custos para o setor de saúde. Empresas que investirem em compliance proativo, diversificação estratégica e diálogo com o governo terão vantagem na nova realidade. Já as que postergarem ações correm o risco de ver suas margens erodirem antes mesmo da entrada em vigor do IBS e CBS.
Fonte: Estudo inédito IBPT/IDV sobre impactos da Reforma Tributária no setor de saúde. Dados baseados em simulações com alíquotas estimadas do IVA Dual.


