Reforma Tributária: Como o IBS e a CBS vão redefinir o fluxo de caixa do setor de saúde a partir de 2026
Especialistas alertam para a complexidade do IVA Dual e os custos de adaptação no setor de saúde. Saiba como se preparar para as novas regras do IBS e CBS.
Resposta direta
Especialistas alertam para a complexidade do IVA Dual e os custos de adaptação no setor de saúde. Saiba como se preparar para as novas regras do IBS e CBS.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no setor de saúde com a Reforma Tributária: IBS, CBS e os riscos da não-cumulatividade plena
O setor de saúde será um dos mais impactados pela Reforma Tributária (PLP 68/24), especialmente com a implementação do IVA Dual — composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Em evento realizado em Florianópolis pelo escritório Menezes Niebuhr, especialistas destacaram que as mudanças vão além da simplificação: exigirão revisão de margens, simulações de fluxo de caixa e adaptação a novas obrigações acessórias.
1. IBS: A armadilha das 5.570 alíquotas possíveis
Um dos pontos mais críticos apontados pelos palestrantes é a fragmentação do IBS. Embora a legislação preveja uma alíquota nacional única, a possibilidade de municípios definirem suas próprias alíquotas cria um cenário de alta complexidade operacional:
- Risco de compliance: Operadoras de planos de saúde e redes de clínicas com atuação nacional terão que lidar com até 5.570 alíquotas distintas (uma por município), aumentando custos de conformidade.
- Impacto no fluxo de caixa: A não-cumulatividade plena do IBS/CBS exige controle rigoroso de créditos tributários, sob pena de perda de competitividade.
- Planejamento tributário: Empresas com operações em múltiplas localidades precisarão de sistemas integrados para gerenciar as variações de alíquotas e evitar autuações.
2. CBS: Resíduos tributários e a necessidade de simulações urgentes
Gabriel Collaço, especialista do Núcleo Tributário do Menezes Niebuhr, alertou para um ponto frequentemente negligenciado: os resíduos tributários que incidiam sobre insumos e agora serão eliminados com a não-cumulatividade. Segundo ele, as empresas do setor devem:
- Realizar simulações imediatas: Mapear como a CBS afetará a margem de lucro, considerando a eliminação de créditos acumulados e a nova carga sobre receitas.
- Revisar contratos: Cláusulas de repasse de custos tributários em contratos com fornecedores e clientes precisam ser ajustadas.
- Investir em tecnologia: Sistemas de ERP e contabilidade deverão ser atualizados para lidar com o IVA Dual e as novas obrigações acessórias.
3. Imposto Seletivo (IS) e a tributação sobre lucros: Novas estratégias de planejamento
Rodrigo Schwartz destacou que a Reforma Tributária abre espaço para mudanças na tributação da renda, especialmente no setor de saúde, onde a pejotização é comum. Com a possível alteração na distribuição de lucros, empresas e profissionais liberais devem considerar:
- Alocação de despesas: Aumentar despesas dedutíveis na pessoa jurídica (ex: investimentos em equipamentos, treinamentos) para reduzir a base de cálculo do IRPJ.
- Revisão de estruturas societárias: Avaliar a viabilidade de manter CNPJs individuais ou migrar para modelos de sociedade simples.
- Impacto no IS: O Imposto Seletivo poderá incidir sobre produtos e serviços específicos do setor (ex: medicamentos, equipamentos médicos), exigindo análise de custo-benefício.
4. Cronograma e custos de adaptação: O que fazer agora
Com a transição do sistema atual para o IVA Dual prevista para 2026, as empresas do setor de saúde devem iniciar imediatamente:
- Diagnóstico tributário: Identificar créditos acumulados no sistema atual (PIS/Cofins, ICMS, ISS) e como serão tratados na transição.
- Treinamento de equipes: Capacitar contadores e gestores financeiros para as novas regras de apuração e declaração.
- Orçamento para compliance: Estimar custos com consultoria especializada, atualização de sistemas e eventuais litígios.
5. Oportunidades ocultas na Reforma
Apesar dos desafios, os especialistas apontam oportunidades para o setor:
- Redução da carga tributária: Empresas com alto volume de créditos acumulados (ex: hospitais com grandes compras de insumos) podem se beneficiar da não-cumulatividade.
- Simplificação de processos: A unificação de tributos (IBS + CBS) reduzirá a burocracia em operações interestaduais.
- Incentivos setoriais: O governo poderá criar regimes especiais para saúde, como alíquotas reduzidas para medicamentos essenciais.
Conclusão: Prepare-se ou pague mais caro
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas — é uma reengenharia dos processos fiscais das empresas de saúde. Quem não se adaptar a tempo enfrentará:
- Perda de competitividade por gestão ineficiente de créditos tributários.
- Autuações por erros na apuração do IBS/CBS.
- Desequilíbrio no fluxo de caixa devido à má projeção de custos.
Recomendação final: Busque assessoria especializada ainda em 2025 para mapear riscos e oportunidades. O prazo para adaptação é curto, e os custos de deixar para última hora serão altos.


