Reforma Tributária: Guia Estratégico do PLP 108/24 Pós-Senado
O Senado aprovou o PLP 108/24 com ajustes cruciais na governança do IBS, regras de transição e Split Payment. Entenda o que muda para o seu compliance e fluxo de caixa. 🚀

Resposta direta
O Senado aprovou o PLP 108/24 com ajustes cruciais na governança do IBS, regras de transição e Split Payment. Entenda o que muda para o seu compliance e fluxo de caixa. 🚀
Perguntas-chave
- O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
- Como IBS afeta planejamento e tomada de decisão?
A aprovação do substitutivo ao PLP 108/24 pelo Senado Federal marca um divisor de águas na estruturação da Reforma Tributária sobre o consumo. Com 51 votos favoráveis, o projeto, sob relatoria do senador Eduardo Braga, redefine o desenho institucional do Comitê Gestor do IBS (CG-IBS) e estabelece diretrizes operacionais que impactarão diretamente o compliance fiscal e a gestão financeira das empresas brasileiras até 2033.
Governança do CG-IBS e o Novo Ecossistema Fiscal
O CG-IBS surge como uma entidade de regime especial, dotada de independência técnica e orçamentária. A estrutura de governança, composta por um Conselho Superior com 54 membros, equilibrando representações estaduais e municipais, visa centralizar a arrecadação e a distribuição dos recursos do novo Imposto sobre Bens e Serviços. Para as empresas, a centralização significa uma interface mais padronizada, mas também exige atenção redobrada aos novos normativos que serão emanados deste colegiado. O financiamento da estrutura, que transita de uma alocação total pela União para um custeio decrescente via arrecadação do IBS até 2032, sinaliza um amadurecimento gradual do modelo.
Split Payment: Blindagem e Riscos de Fluxo de Caixa
Um dos pilares mais aguardados, o mecanismo de split payment, foi detalhado no texto aprovado. A segregação automática do tributo no ato da transação é a ferramenta de combate à sonegação central da reforma. Contudo, o impacto operacional é profundo: plataformas digitais e prestadores de serviços de pagamento assumem responsabilidades solidárias. O descumprimento, seja por falha no repasse ou na comunicação de dados ao Fisco, sujeita as organizações a multas pecuniárias robustas e riscos severos, como a cassação de autorizações de funcionamento. O CFO deve priorizar a integração sistêmica do seu ERP com as diretrizes do CG-IBS para evitar gargalos no capital de giro.
Segurança Jurídica e o Contencioso Administrativo
A criação da Câmara Nacional de Integração do Contencioso Administrativo é uma resposta direta à necessidade de harmonização de teses tributárias. A promessa de julgamentos 100% eletrônicos e a uniformização jurisprudencial entre IBS e CBS visam reduzir a litigiosidade que hoje consome recursos de PJs de todos os portes. O caráter pedagógico da fiscalização no período de transição, onde penalidades podem ser extintas se a omissão for suprida em até 60 dias, é uma janela de oportunidade para ajustes de conformidade sem o peso de autuações imediatas.
Transição de Créditos e Regras de Transição (2029-2033)
O texto traz flexibilidade para a gestão dos créditos acumulados de ICMS. As empresas ganham quatro caminhos estratégicos: compensação com débitos próprios (se autorizado), compensação com o novo IBS, transferência a terceiros ou ressarcimento parcelado. A mudança no período de referência para o cálculo da alíquota de referência do IBS (utilizando dados de 2024-2026) busca uma calibragem mais alinhada à realidade econômica atual, mitigando choques de carga tributária para entes subnacionais e, consequentemente, estabilizando a precificação para o setor produtivo.
Pontos de Atenção para o Planejamento Tributário
- ITCMD e Heranças: A obrigatoriedade da progressividade e a tributação de trusts impõem a revisão imediata de holdings patrimoniais e planejamentos sucessórios.
- Setor de Combustíveis: A inclusão de "correntes" na sistemática monofásica é uma trava importante contra a evasão fiscal crônica no setor.
- Imposto Seletivo: O teto de 2% para bebidas açucaradas, embora criticado por setores ligados à saúde pública, traz previsibilidade para indústrias de bens de consumo ultraprocessados.
- Plataformas Digitais: A responsabilidade solidária em casos de não emissão de nota fiscal exige um processo de onboarding e validação de fornecedores extremamente rígido.
Próximos Passos e a Necessidade de Adequação
Como o texto aprovado pelo Senado sofreu alterações, o projeto retorna à Câmara dos Deputados para nova rodada de votação. Apesar do rito legislativo ainda em curso, a arquitetura do novo sistema está definida. O empresariado não deve esperar a implementação plena para agir. A revisão da governança fiscal, a atualização da malha de fornecedores e a reestruturação da governança de dados para a nota fiscal eletrônica devem ser tratadas como prioridades críticas de TI e tributário nos próximos meses.


