Reforma do IR: Como a tributação de dividendos acima de R$ 1 milhão impacta fluxo de caixa e compliance em 2026
Governo mantém isenção para 80% dos recebedores de dividendos, mas tributa alíquota de 10% para rendas acima de R$ 1M/ano. Veja o que muda no planejamento tributário.
Resposta direta
Governo mantém isenção para 80% dos recebedores de dividendos, mas tributa alíquota de 10% para rendas acima de R$ 1M/ano. Veja o que muda no planejamento tributário.
Perguntas-chave
- O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
- Como Imposto de Renda afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no seu fluxo de caixa a partir de 2026
O governo federal confirmou nesta terça-feira (20/05) que a proposta de reforma do Imposto de Renda (IR) preservará a isenção de dividendos para 80% dos atuais beneficiários, mas introduzirá uma alíquota mínima de 10% para rendimentos anuais acima de R$ 1,2 milhão. A medida, detalhada pelo secretário de Reformas Econômicas, Marcos Pinto, durante audiência pública na Comissão Especial do Congresso, tem impacto direto no planejamento tributário de empresas e investidores de alta renda.
Pontos críticos para CFOs e contadores
- Faixas de tributação: A isenção permanece para dividendos até R$ 50 mil/mês (R$ 600 mil/ano). Entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão/ano, a alíquota será gradativa (0% a 10%). Acima de R$ 1,2 milhão/ano, a alíquota fixa de 10% incidirá sobre o valor total.
- Dividendos remetidos ao exterior: Serão tributados integralmente em 10%, independentemente do valor.
- Ajuste anual: A diferença entre o IR efetivamente pago e a alíquota mínima será calculada na declaração anual, similar ao sistema atual de restituição.
- Cronograma: A proposta, em tramitação como PLP 68/24, tem previsão de aprovação no segundo semestre de 2025, com vigência a partir de 2026.
Impacto no compliance e custos de adaptação
Empresas e escritórios de contabilidade precisarão revisar seus sistemas para:
- Controle de faixas: Implementar mecanismos para segregar dividendos por faixa de renda dos sócios/acionistas.
- Novas obrigações acessórias: Ajustar softwares de folha de pagamento e declarações para contemplar a tributação progressiva.
- Planejamento sucessório: Reavaliar estruturas de holdings e trusts, especialmente para famílias com patrimônio acima de R$ 10 milhões.
O que fazer agora
Enquanto o projeto não é aprovado, especialistas recomendam:
- Auditoria prévia: Mapear sócios/acionistas com rendimentos próximos às faixas de tributação (R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão/ano).
- Simulações: Projetar o impacto no fluxo de caixa considerando a alíquota de 10% para dividendos acima de R$ 1 milhão/ano.
- Revisão de contratos: Adequar cláusulas de distribuição de lucros em sociedades limitadas e S/As.
Contexto técnico
A medida está alinhada à estratégia do governo de reduzir a regressividade do sistema tributário brasileiro, compensando a perda de arrecadação com a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil/mês. Segundo a Receita Federal, apenas 0,3% dos declarantes serão afetados pela nova tributação, mas o impacto fiscal é estimado em R$ 15 bilhões/ano.
Nota: O projeto ainda pode sofrer alterações durante a tramitação no Congresso. Acompanhe as atualizações do PLP 68/24 para ajustes em tempo real.


