Simples Nacional 2.0: Como o PLP 7/24 redefine limites, notas fiscais e alíquotas para MEIs e pequenas empresas na era do IVA Dual
PLP 7/24 ajusta o Estatuto da Microempresa ao IBS/CBS: novos limites de faturamento, obrigações acessórias e reduções de alíquotas entram em vigor em 2026. Saiba o que muda no fluxo de caixa e compliance.
Resposta direta
PLP 7/24 ajusta o Estatuto da Microempresa ao IBS/CBS: novos limites de faturamento, obrigações acessórias e reduções de alíquotas entram em vigor em 2026. Saiba o que muda no fluxo de caixa e compliance.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no Simples Nacional com a reforma tributária: impactos práticos a partir de 2026
O Projeto de Lei Complementar (PLP) 7/24, aprovado na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara, promove ajustes críticos no Estatuto da Micro e Pequena Empresa para alinhá-lo ao IVA Dual (IBS + CBS) e ao Imposto Seletivo (IS). As mudanças, que ainda precisam passar por mais duas comissões e pelo Plenário, afetam diretamente o fluxo de caixa, custos de adaptação e obrigações acessórias de MEIs e pequenas empresas. Veja os pontos-chave:
1. Limites de faturamento: flexibilização com armadilhas
- Novos tetos para o Simples Nacional:
- O limite federal sobe de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões anuais, unificando o teto para ICMS/ISS e CBS/IBS.
- Sublimites por PIB estadual:
- Estados com < 1% do PIB nacional: R$ 1,8 milhão.
- Estados com > 1% do PIB: R$ 3,6 milhões (mantido).
- Risco de exclusão: Empresas que ultrapassarem o limite proporcional no primeiro ano de atividade perdem o direito de recolher IBS/CBS pelo Simples, mesmo que temporariamente. Exemplo: Uma startup com faturamento de R$ 5 milhões em 12 meses, mas que superou R$ 400 mil/mês nos últimos 3 meses, será excluída.
2. Novas obrigações acessórias: custo oculto da reforma
- Nota fiscal obrigatória para MEIs:
- Antes: Isentos para vendas a consumidores finais.
- Agora: Toda operação (B2B e B2C) exige emissão de NF, sob pena de multa. Impacto: Custo médio de R$ 500/mês em sistemas emissores para MEIs.
- Declarações mensais:
- Substituição da DASN-SIMEI anual por declarações mensais, alinhadas ao cronograma do IBS/CBS. Prazo de adaptação: 6 meses a partir de janeiro/2026.
- Documento de arrecadação como prova fiscal: O DAS passa a valer como comprovante de recolhimento, exigindo controle rigoroso de arquivamento digital (prazo mínimo de 5 anos).
3. Alíquotas e benefícios: quem ganha e quem perde
- Redução de 60% para serviços essenciais:
- CBS e IBS terão alíquotas reduzidas para:
- Serviços de saúde e educação.
- Dispositivos médicos e de acessibilidade (antes alíquota zero pela LC 214/25).
- Softwares e direitos autorais (incluídos no cálculo da receita bruta).
- CBS e IBS terão alíquotas reduzidas para:
- MEI: redução gradual de impostos:
- Parcela mensal cai de R$ 70 (2027) para R$ 30 (2033), com descontos escalonados. Impacto: Economia de até R$ 480/ano por MEI.
- Novos setores no Simples:
- Locação de imóveis para eventos passa a ser elegível, antes proibida. Oportunidade: Redução de até 30% na carga tributária para empresas do setor.
4. Prazo de regularização e riscos de exclusão
- Ampliação do prazo para regularização:
- De 1 para 3 meses para comunicar dívidas à Receita, evitando exclusão do Simples. Exceção: Débitos com o IBS/CBS não se beneficiam da extensão.
- Substituição tributária e regimes diferenciados:
- O Comitê Gestor do IBS (CGIBS) e o CGSN definirão regras para repasses e regimes especiais, com potencial impacto na não-cumulatividade plena.
5. Cronograma e próximos passos
- Tramitação:
- Análise nas comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça (previsão: 1º semestre/2025).
- Aprovação no Plenário da Câmara e Senado até dezembro/2025 para vigência em 2026.
- Preparação para 2026:
- Ações imediatas:
- Revisar sistemas de emissão de NF para MEIs (prazo: até junho/2025).
- Simular impacto da não-cumulatividade no fluxo de caixa (ferramentas como o Simulador IBS/CBS da Receita podem ajudar).
- Treinar equipes para declarações mensais (custo estimado: R$ 2 mil/empresa).
- Ações imediatas:
Checklist de compliance para CFOs e contadores
- ✅ Verificar se a empresa se enquadra nos novos limites de faturamento (R$ 4,8 milhões ou sublimites estaduais).
- ✅ Atualizar sistemas para emissão de NF obrigatória para MEIs (B2C e B2B).
- ✅ Recalcular alíquotas efetivas considerando reduções para saúde, educação e softwares.
- ✅ Preparar fluxo de caixa para declarações mensais (reserva de 5% do faturamento para custos de adaptação).
- ✅ Monitorar resoluções do CGIBS e CGSN sobre substituição tributária (risco de perda de créditos).
Fontes: PLP 7/24 (Câmara dos Deputados), LC 214/25, Emenda Constitucional 132. Análise técnica: Nova Regra.


