PLP 68/24: Como as mudanças no IBS e CBS impactam fluxo de caixa e compliance fiscal a partir de 2026
Câmara vota regulamentação da Reforma Tributária com ajustes no IVA Dual, Imposto Seletivo e regimes favorecidos. Saiba o que muda para empresas e setores específicos.
Resposta direta
Câmara vota regulamentação da Reforma Tributária com ajustes no IVA Dual, Imposto Seletivo e regimes favorecidos. Saiba o que muda para empresas e setores específicos.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda para sua empresa já na próxima semana
A Câmara dos Deputados vota nesta terça-feira (17) o PLP 68/24, projeto que regulamenta a Reforma Tributária e define regras cruciais para o IVA Dual (IBS + CBS), Imposto Seletivo (IS) e regimes de tributação favorecida. Com 34 alterações em relação ao texto aprovado pelo Senado, o relator Reginaldo Lopes (PT-MG) manteve a alíquota de referência em 26,5%, mas reintroduziu pontos sensíveis para setores como saúde, esportes e varejo. As mudanças afetam diretamente:
- Fluxo de caixa: Retorno da substituição tributária, onde empresas pagam impostos em nome de terceiros, exigindo revisão de contratos e processos de repasse.
- Custos operacionais: Medicamentos e serviços veterinários mantêm redução de 30%, mas bebidas açucaradas terão IS adicional (0,07% de impacto na alíquota geral).
- Obrigações acessórias: Vinculação dos sistemas de pagamento ao sistema de arrecadação, antecipando a necessidade de integração com plataformas como Pix e cartões.
Setores em alerta: O que cada segmento precisa revisar
1. Saúde e Serviços Veterinários
Planos de saúde animal e serviços veterinários mantêm redução de 30% na CBS, mas a não-cumulatividade plena exige atenção à cadeia de créditos tributários. Empresas devem mapear fornecedores para evitar perda de créditos.
2. Esportes (SAFs)
Sociedades Anônimas de Futebol (SAFs) terão alíquota fixa de 8,5% — abaixo da alíquota geral. No entanto, a ausência de detalhes sobre a base de cálculo pode gerar disputas com o Fisco. Advogados recomendam auditoria prévia nos contratos de patrocínio e direitos de imagem.
3. Varejo e E-commerce
A regulamentação do cashback para baixa renda e a tributação de compras internacionais (via internet) impõem novas regras para marketplaces. Plataformas como Mercado Livre e Shopee terão que adaptar sistemas para recolher IBS/CBS na origem, sob risco de multas.
4. Indústria de Bebidas
O retorno do Imposto Seletivo sobre bebidas açucaradas — excluído no Senado — aumenta a carga tributária para fabricantes como Ambev e Coca-Cola. A alíquota específica ainda não foi definida, mas o impacto estimado é de R$ 1,2 bilhão/ano para o setor.
Cronograma de adaptação: Prazos e riscos
A transição para o novo sistema começa em 2026, mas empresas já devem iniciar ajustes:
- Até dezembro/2024: Revisão de contratos com cláusulas de repasse tributário (especialmente para substituição tributária).
- 1º semestre/2025: Implementação de sistemas para não-cumulatividade plena (controle de créditos de IBS/CBS).
- 2026: Início da cobrança do IBS (estadual) e CBS (federal), com alíquotas transitórias.
Checklist para CFOs e Contadores
Para evitar surpresas, especialistas recomendam:
- Mapear cadeia de fornecedores: Identificar onde há riscos de perda de créditos tributários.
- Revisar contratos: Incluir cláusulas de ajuste para repasse de custos com IBS/CBS.
- Testar sistemas: Verificar integração com plataformas de pagamento (Pix, cartões) para compliance com o novo sistema de arrecadação.
- Simular cenários: Usar alíquotas de referência (26,5%) para projetar impacto no EBITDA.
Pontos de atenção no PLP 68/24
- Cashback: Mecanismo de devolução para baixa renda pode gerar complexidade operacional para varejistas.
- Compras internacionais: Tributação na origem para e-commerce transfronteiriço exige adaptação de plataformas como AliExpress e Shein.
- Imposto Seletivo: Além de bebidas açucaradas, o IS pode ser estendido a outros produtos (ex: agrotóxicos), dependendo de regulamentação posterior.
Próximos passos
Após a votação na Câmara, o texto segue para sanção presidencial. Empresas devem acompanhar:
- Publicação de decretos regulamentadores (ex: definição de alíquotas do IS).
- Criação do Comitê Gestor do IBS, responsável pela fiscalização.
- Prazos para adesão a regimes especiais (ex: Zonas Francas).
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