PLP 128/2025: Como a redução de benefícios fiscais e novos tributos impactam fluxo de caixa e compliance em 2026

PLP 128/2025Atualizado 07/05/2026, 15:35

CFOs e contadores devem preparar-se para cortes de 10% em incentivos fiscais e aumento de alíquotas em bets e fintechs. Saiba o que muda no lucro presumido e no JCP.

Resposta direta

CFOs e contadores devem preparar-se para cortes de 10% em incentivos fiscais e aumento de alíquotas em bets e fintechs. Saiba o que muda no lucro presumido e no JCP.

Perguntas-chave

  • O que PLP 128/2025 muda na prática para o contribuinte?
  • Como Reforma Tributária afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no seu fluxo de caixa a partir de 2026

O PLP 128/2025, aprovado pela Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado, promove uma reestruturação profunda nos benefícios fiscais federais e introduz novas obrigações acessórias. Para CFOs e gestores tributários, três pontos exigem atenção imediata:

  • Redução de 10% em incentivos fiscais: Afeta créditos presumidos de PIS/Cofins, IPI e contribuição previdenciária patronal, com exceções regulamentadas pelo Executivo. Programas como PERSE, REIQ e créditos para exportação de café e cítricos estão na mira. A regra atinge empresas com receita bruta anual superior a R$ 5 milhões, elevando a base de cálculo do lucro presumido em 10% sobre o excedente.
  • Novas alíquotas para bets e fintechs:
    • Bets: Alíquota sobe de 12% para 15% até 2028 (13% em 2026, 14% em 2027).
    • Fintechs e instituições financeiras: Aumento escalonado da CSLL.
    • JCP: IRRF sobre juros sobre capital próprio passa de 15% para 17,5%.
  • Freio fiscal: Se benefícios ultrapassarem 2% do PIB, novas concessões serão vedadas sem compensação.

Setores mais afetados e exceções estratégicas

O texto do PLP 128/2025 preserva alguns regimes, mas impõe cortes em áreas críticas:

  • Excluídos dos cortes:
    • Imunidades constitucionais e ZFM (Zona Franca de Manaus).
    • Simples Nacional e cesta básica da reforma tributária.
    • Programas sociais (Prouni, Minha Casa Minha Vida).
    • CPRB e políticas para TIC/semicondutores.
  • Impactados:
    • Leasing de aeronaves e produtos farmacêuticos.
    • Transporte rodoviário de passageiros (PIS/Cofins).
    • Exportadores de mercadorias de origem animal/vegetal.

Custos de adaptação e novas obrigações acessórias

A transição exigirá investimentos em compliance e revisão de processos:

  • Revisão de contratos: Cláusulas de repasse de custos tributários precisarão ser atualizadas, especialmente em setores como bets e fintechs.
  • Sistemas de contabilidade: Adequação para calcular a nova base de lucro presumido (R$ 5 milhões + 10% sobre o excedente).
  • Planejamento tributário: Análise de viabilidade do lucro real vs. presumido, considerando o aumento da CSLL e do IRRF sobre JCP.
  • Transparência fiscal: O PLP 128/2025 vincula benefícios à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), exigindo relatórios detalhados de resultados.

Próximos passos: Senado e regulamentação

O texto segue para o Senado, onde poderá sofrer alterações. Empresas devem:

  1. Monitorar a tramitação e possíveis emendas.
  2. Preparar cenários de impacto no fluxo de caixa para 2026.
  3. Engajar-se em consultas públicas para regulamentação dos cortes (a ser feita pelo Executivo).

Fonte: Agência Câmara de Notícias (PLP 128/2025).