IBS e Monofasia no Setor de Gás: Como a Reforma Tributária Ameaça R$ 9 Bilhões em Créditos Presos em 2026
Especialistas alertam: regime monofásico da reforma tributária pode travar R$ 9 bi/ano em créditos de IBS/CBS no setor de gás. Saiba como se preparar para o impacto no fluxo de caixa.
Resposta direta
Especialistas alertam: regime monofásico da reforma tributária pode travar R$ 9 bi/ano em créditos de IBS/CBS no setor de gás. Saiba como se preparar para o impacto no fluxo de caixa.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como Reforma Tributária afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda para o Setor de Gás em 2026: Monofasia e o Risco de Créditos Presos
O setor de gás natural enfrenta um dos maiores desafios da Reforma Tributária aprovada pela Lei Complementar 214/2025: a implementação do regime monofásico para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). A partir de 2026, a cobrança concentrada na origem da cadeia produtiva pode gerar um acúmulo de R$ 9 bilhões por ano em créditos não recuperáveis, segundo alerta de especialistas no 3º Seminário Tributação em Óleo e Gás.
Impactos Práticos: Fluxo de Caixa e Custos de Adaptação
- Créditos Presos: Com a monofasia, os créditos de IBS/CBS gerados nas etapas posteriores da cadeia (como distribuição e comercialização) não poderão ser compensados, pressionando o capital de giro das empresas.
- Alíquotas do Imposto Seletivo (IS): O gás natural foi incluído na lista de bens sujeitos ao IS, com alíquota máxima de 0,25%, adicionando mais uma camada de complexidade tributária.
- Cumulatividade Plena: A não-cumulatividade plena, prevista no IVA Dual, não se aplica integralmente ao setor, aumentando o risco de bitributação em operações intermediárias.
- Custos de Compliance: Novas obrigações acessórias, como a declaração unificada de IBS/CBS, exigirão investimentos em sistemas de gestão tributária e treinamento de equipes.
O Que Está em Jogo: Riscos e Oportunidades
A PLP 68/24 (que regulamenta a reforma) mantém a monofasia para combustíveis, biocombustíveis e gás natural, mas o setor pressiona por um adiamento para 2033. Enquanto isso, empresas precisam se preparar para:
- Revisão de Contratos: Cláusulas de repasse de custos tributários devem ser atualizadas para refletir a nova sistemática.
- Modelagem de Créditos: Simulações de fluxo de caixa são essenciais para mitigar o impacto dos créditos presos.
- Monitoramento Legislativo: A regulamentação final ainda pode sofrer ajustes, especialmente em relação ao IS e aos regimes específicos para biocombustíveis.
Posicionamento do Setor: Entre a Insegurança Jurídica e a Transição Energética
Para a ABiogás, a reforma é uma vitória para biogás e biometano, mas o setor de gás natural ainda enfrenta insegurança jurídica. Bernardo Valois, gerente tributário da Eneva, destaca: "A regulamentação incompleta deixa dúvidas sobre a aplicação prática do IBS e do IS, especialmente em operações interestaduais".
Enquanto isso, consultorias como a Infis projetam um aumento de até 20% na carga tributária para o setor de óleo e gás, caso não haja ajustes no regime especial de compra e venda de equipamentos.
Checklist para Empresas: Como se Preparar
- ✅ Auditoria Tributária: Mapear créditos acumulados e identificar riscos de não-cumulatividade.
- ✅ Sistemas de Gestão: Atualizar ERPs para lidar com a nova sistemática de IBS/CBS e IS.
- ✅ Planejamento Financeiro: Projetar cenários de fluxo de caixa considerando créditos presos.
- ✅ Advocacy: Acompanhar debates no Congresso e participar de consultas públicas sobre a regulamentação.
Conclusão: O Relógio Está Correndo
Com a entrada em vigor do IBS e CBS em 2026, o setor de gás natural tem pouco tempo para se adaptar. A monofasia, combinada com o IS e as novas obrigações acessórias, exige uma estratégia proativa de compliance e gestão de riscos. Empresas que não se anteciparem podem enfrentar perdas bilionárias em créditos e uma desvantagem competitiva no mercado.
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Fontes originais:


