IBS e CBS: Setor de Serviços enfrenta aumento de até 96% na carga tributária a partir de 2026

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

Estudo da FecomercioSP revela impacto brutal da Reforma Tributária no setor de Serviços. Saiba como se preparar para o novo IVA Dual e evitar riscos de compliance.

Resposta direta

Estudo da FecomercioSP revela impacto brutal da Reforma Tributária no setor de Serviços. Saiba como se preparar para o novo IVA Dual e evitar riscos de compliance.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no seu fluxo de caixa a partir de 2026

Empresas do setor de Serviços — responsáveis por 70% do PIB e 60% dos empregos formais no Brasil — enfrentarão um aumento médio de 39,4% na carga tributária com a implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), segundo cálculos exclusivos da FecomercioSP. Em segmentos intensivos em mão de obra, como consultorias e auditorias, o impacto pode chegar a 96,4%, caso não haja creditamento pleno dos gastos com folha de pagamento.

Cenários críticos para o setor

A simulação da FecomercioSP, baseada na PEC 45/2019 (agora em análise no Senado) e na Lei Complementar PLP 68/24, considera uma empresa com receita mensal de R$ 400 mil no regime de lucro presumido e alíquota-padrão de 27% para IBS e CBS. Os resultados expõem três cenários de risco:

  • Serviços em geral: Carga tributária sobe de 19,03% para 26,53% (aumento de 7,5 p.p.).
  • Serviços profissionais (consultorias, auditorias): Aumento de 59,6% na carga, mesmo com creditamento parcial.
  • Pior cenário (sem creditamento de folha): Alta de 96,4%, devido à impossibilidade de compensar gastos com pessoal (40% da receita operacional).

Riscos ocultos: Compliance e custos de adaptação

A transição para o IVA Dual (IBS + CBS) exige atenção a quatro pontos críticos:

  1. Não-cumulatividade plena: Embora o modelo permita creditamento de tributos pagos na cadeia, a folha de pagamento não gera créditos, penalizando setores intensivos em mão de obra.
  2. Novas obrigações acessórias: O sistema manterá complexidade, com necessidade de controle rigoroso de débitos e créditos. Prepare-se para investir em tecnologia e revisão de processos.
  3. Insegurança jurídica: Alíquotas, fundo de compensação e regras de transição ainda não estão definidas, aumentando o risco de disputas com o Fisco.
  4. Imposto Seletivo (IS): Produtos como combustíveis e cigarros terão tributação adicional, impactando custos operacionais.

Como se preparar: Checklist para CFOs e Contadores

Para mitigar riscos, adote as seguintes medidas:

  • Revisão de regime tributário: Avalie a migração para o lucro real ou Simples Nacional, dependendo do perfil da empresa.
  • Modelagem de fluxo de caixa: Projete cenários com alíquotas de 25% a 27% para IBS/CBS e inclua o impacto do IS.
  • Tecnologia fiscal: Invista em softwares de gestão tributária para controle de créditos e compliance com as novas regras.
  • Planejamento jurídico: Antecipe-se a litígios, documentando operações e buscando pareceres tributários preventivos.
  • Treinamento de equipes: Capacite colaboradores em não-cumulatividade e novas obrigações acessórias.

O que esperar do Senado e do governo

A PEC 45/2019 ainda pode sofrer alterações no Senado, mas o governo já sinaliza que o próximo passo será a tributação de dividendos, elevando ainda mais a carga. Para o setor de Serviços, a mensagem é clara: a Reforma não trará simplificação imediata, mas sim um período de adaptação complexo e oneroso.

Fonte: FecomercioSP, com base na Pesquisa Anual de Serviços (IBGE) e simulações da PEC 45/2019.