IBS e CBS: Como a Reforma Tributária (PLP 68/24) Ameaça a Competitividade do Setor de Serviços em 2026
A Reforma Tributária (PLP 68/24) eleva a carga tributária do setor de serviços em até 80%, eliminando créditos sobre folha. Entenda os riscos para CFOs e as ações cruciais.
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Resposta direta
A Reforma Tributária (PLP 68/24) eleva a carga tributária do setor de serviços em até 80%, eliminando créditos sobre folha. Entenda os riscos para CFOs e as ações cruciais.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda para o Setor de Serviços a Partir de 2026?
O PLP 68/24, que regulamenta a Reforma Tributária (EC 132/23), introduz o IVA Dual no Brasil — composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Para o setor de serviços, o impacto será imediato e severo: aumento de até 80% na carga tributária, perda de créditos sobre folha de pagamento e repasse compulsório de custos ao consumidor final.
Três Riscos Críticos para CFOs e Contadores
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1. Folha de Pagamento sem Crédito Tributário: O maior custo do setor — mão de obra — não gera créditos no novo sistema de não-cumulatividade plena. Com alíquotas projetadas em 26,5% (contra 8,65% atuais no lucro presumido), a equação de fluxo de caixa se torna insustentável.
"Hoje, pagamos 8,65%. Com a reforma, a alíquota sobe para 26,5% sem direito a crédito sobre a folha", alerta Francine Fachinello, especialista em direito tributário.
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2. Perda de Competitividade para o Simples Nacional: Empresas do Simples Nacional (90% dos associados da CNDL) perderão clientes para médias e grandes empresas — e até para concorrentes estrangeiros. O motivo: o creditamento reduzido para compras de fornecedores optantes pelo Simples.
"Uma empresa do lucro real fará planejamento tributário e escolherá fornecedores que gerem mais créditos", explica Karoline Lima, da CNDL.
Impacto prático: Redução de receita para 500 mil micro e pequenas empresas, que geram 25 milhões de empregos.
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3. Judicialização e Custos de Adaptação: A simplificação prometida esbarra em novas obrigações acessórias e na complexidade do Imposto Seletivo (IS).
"Alcançamos um sistema mais enxuto, mas não reduzimos a carga tributária. O Brasil terá a maior alíquota de IVA do mundo", critica Felipe de Sá Tavares, da CNC.
Setores como varejo e serviços enfrentarão aumento de 18% a 80% na tributação, com reflexos em toda a cadeia produtiva.
Calendário de Riscos: O Que Fazer Agora?
O Senado concluirá os debates sobre o PLP 68/24 em outubro. Até lá, as empresas devem:
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Avaliar o impacto no fluxo de caixa: Simular cenários com alíquotas de 26,5% (CBS + IBS) e sem créditos sobre folha.
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Revisar contratos com fornecedores: Priorizar parceiros que gerem créditos tributários plenos.
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Preparar-se para o Imposto Seletivo (IS): Setores como energia e telecomunicações serão afetados por alíquotas adicionais.
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Monitorar o Simples Nacional: O debate específico ocorre em 1º de outubro. Ajustes podem reduzir perdas para MPEs.
Setores em Alerta: Quem Sofrerá Mais?
Os debates na CAE destacaram segmentos com cadeias produtivas curtas e alta dependência de mão de obra, como:
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Bares e restaurantes;
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Serviços de limpeza e conservação;
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Tecnologia para comércio;
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Distribuição de energia elétrica.
Próximos Passos: Cronograma do Senado
Os debates na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) seguem até outubro, com temas críticos para o setor:
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10/09: Cashback e cesta básica;
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11/09: Hotelaria, parques temáticos e cultura;
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12/09: Saúde e educação;
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01/10: Simples Nacional;
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08-09/10: Imposto Seletivo (IS).
Conclusão: Como Mitigar os Riscos?
A Reforma Tributária trará simplificação, mas a transição será dolorosa para o setor de serviços. CFOs e contadores devem:
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Realizar diagnósticos tributários com base nas novas alíquotas;
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Revisar modelos de negócio para otimizar créditos;
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Engajar-se nos debates do Senado, especialmente sobre o Simples Nacional e o Imposto Seletivo.
"A reforma não reduzirá a carga tributária. Pelo contrário: o setor de serviços pagará mais e terá menos créditos. A única saída é planejamento", resume Márcia Sepulveda, do Observatório Político do Setor de Serviços.


