IBS e CBS em 2026: Como o IVA Dual impacta o fluxo de caixa das empresas de combustíveis (e por que a gasolina não é o vilão)

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

Reforma Tributária inicia fase de testes em 2026 com novas obrigações acessórias para empresas. Entenda os riscos de compliance e os custos ocultos da transição para o IVA Dual (IBS/CBS).

Resposta direta

Reforma Tributária inicia fase de testes em 2026 com novas obrigações acessórias para empresas. Entenda os riscos de compliance e os custos ocultos da transição para o IVA Dual (IBS/CBS).

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no seu negócio a partir de 2026 (mesmo sem cobrança efetiva do IBS/CBS)

Empresas do setor de combustíveis e outros segmentos já enfrentam novas obrigações acessórias desde janeiro de 2026, mesmo com a cobrança do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) prevista apenas para 2027. A fase de testes da Reforma Tributária (LC aprovada em 2023) exige adaptações imediatas nos sistemas de faturamento, compliance e gestão de créditos tributários. Veja os impactos práticos:

  • Fluxo de caixa em risco: A não-cumulatividade plena do IVA Dual exige readequação dos processos de apuração de créditos. Empresas que não se prepararem podem perder benefícios fiscais já no período de testes.
  • Custos de adaptação: Implementação de novos campos nas notas fiscais (ex: CFOP específico para IBS/CBS) e treinamento de equipes representam despesas não planejadas para 2026.
  • Risco de autuações: A Receita Federal e os fiscos estaduais já monitoram o cumprimento das obrigações acessórias. Erros no preenchimento podem gerar multas mesmo antes da cobrança efetiva dos tributos.

Gasolina cara? Entenda o que (não) tem a ver com a Reforma Tributária

O aumento médio de R$ 0,40 no litro da gasolina em janeiro de 2026 não está relacionado à cobrança do IBS ou CBS, mas sim a fatores como:

  • Variação no preço internacional do petróleo;
  • Custos logísticos e de distribuição;
  • Política de preços da Petrobras;
  • Ajustes nos impostos estaduais (ICMS, que será substituído pelo IBS).

No entanto, o Imposto Seletivo (IS), previsto na Reforma, poderá incidir sobre combustíveis a partir de 2027, elevando ainda mais a carga tributária. CFOs e contadores devem mapear desde já os impactos do IS no custo final dos produtos.

Checklist para compliance em 2026

Para evitar surpresas durante a transição para o IVA Dual, as empresas devem:

  • Auditar sistemas de faturamento: Verificar se os ERPs estão preparados para emitir notas fiscais com os novos campos obrigatórios (ex: código de enquadramento do IBS/CBS).
  • Revisar contratos: Cláusulas de repasse de impostos em contratos de fornecimento e distribuição devem ser atualizadas para refletir o novo modelo tributário.
  • Capacitar equipes: Contadores e advogados tributaristas precisam dominar as regras de crédito presumido e diferimento previstas na LC 190/22 (Reforma Tributária).
  • Simular cenários: Utilizar ferramentas de tax modeling para projetar o impacto do IBS/CBS no preço final dos produtos e na margem de lucro.

Setor de combustíveis: O que esperar do Imposto Seletivo (IS)

O Imposto Seletivo (IS), que incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente (ex: cigarros, bebidas alcoólicas e combustíveis), será um dos principais desafios para o setor. Diferentemente do IBS e da CBS, o IS não será não-cumulativo, o que pode elevar a carga tributária sobre a cadeia produtiva.

Empresas devem avaliar desde já:

  • O impacto do IS no preço final dos combustíveis;
  • Possíveis estratégias de planejamento tributário para mitigar os efeitos do imposto;
  • A necessidade de revisão de contratos com fornecedores e distribuidores.

Conclusão: Prepare-se agora ou pague caro depois

A fase de testes da Reforma Tributária em 2026 é uma oportunidade para ajustar processos antes da cobrança efetiva do IBS e da CBS em 2027. Empresas que adiarem a adaptação correm o risco de enfrentar:

  • Perda de créditos tributários;
  • Multas por descumprimento de obrigações acessórias;
  • Aumento de custos operacionais;
  • Dificuldades na precificação de produtos.

CFOs, contadores e advogados tributaristas devem priorizar a análise dos impactos do IVA Dual e do Imposto Seletivo nos próximos meses. A Nova Regra recomenda a contratação de consultorias especializadas para garantir o compliance e a eficiência fiscal durante a transição.