Cashback no IBS e CBS: Como o Espaço Fiscal Define o Futuro da Desoneração para Empresas e Consumidores em 2026
Bernard Appy, da Reforma Tributária, confirma que o cashback do IBS e CBS dependerá do espaço fiscal, impactando saneamento e agronegócio. Empresas devem adaptar contratos.
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- PLP 68/24

Resposta direta
Bernard Appy, da Reforma Tributária, confirma que o cashback do IBS e CBS dependerá do espaço fiscal, impactando saneamento e agronegócio. Empresas devem adaptar contratos.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda no Fluxo de Caixa das Empresas com o Cashback do IBS e CBS
O secretário Extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, confirmou em evento na FGV SP que a ampliação do cashback no novo sistema de IVA Dual (IBS + CBS) dependerá exclusivamente do espaço fiscal disponível. A declaração, feita durante encontro do Centro de Estudos de Infraestrutura & Soluções Ambientais, coloca em xeque a promessa de desoneração para setores como saneamento e energia elétrica, que já enfrentam desafios de reequilíbrio econômico-financeiro em contratos de concessão e PPPs.
Impacto Direto: 3 Riscos para Empresas a Partir de 2026
- Saneamento em Alerta: O setor perdeu o tratamento especial na reforma (PLP 68/24) e agora depende de cashback para evitar aumento de tarifas. Appy reconheceu que, embora o governo federal defenda a inclusão, a medida só será viável se houver margem fiscal. "Se a eletricidade tem cashback, não faz sentido o saneamento não ter", afirmou, mas alertou: "A decisão final caberá ao Congresso".
- Exportadores do Agronegócio e Mineração: A incidência do Imposto Seletivo (IS) sobre petróleo e minério (com teto de 1%) pode ser equiparada a um aumento de royalties. "Acabaríamos com as compensações atuais para garantir competitividade?", questionou Appy, destacando que o tema ainda está em discussão nos grupos técnicos.
- Cesta Básica vs. Cashback: Quanto mais produtos forem incluídos na cesta com alíquota reduzida, menor será o espaço fiscal para ampliar o cashback. "É uma decisão política", resumiu Appy, sinalizando que o governo priorizará famílias de baixa renda, mas sem garantias para empresas.
Compliance e Custos de Adaptação: O Que Empresas Precisam Fazer Agora
A regulamentação da reforma (prevista para ser enviada ao Congresso até março) trará novas obrigações acessórias, especialmente para:
- Setor de Serviços: A transição do ISS para o IBS exigirá revisão de contratos e sistemas de faturamento, com impacto na não-cumulatividade plena. Empresas devem mapear créditos tributários desde já para evitar perdas.
- Concessionárias e PPPs: O reequilíbrio de contratos dependerá de diretrizes claras na Lei Complementar. Appy mencionou que as 89 agências reguladoras de saneamento serão consultadas, mas a pulverização pode atrasar soluções. "Alternativas incluem aumento de tarifa ou redução de investimentos", alertou.
- Indústria: A média de 7% de imposto embutido em exportações será reduzida, mas a manutenção de contribuições sobre produtos primários até 2043 (como defendido por governadores do Centro-Oeste) pode criar distorções competitivas.
Cronograma Crítico: Prazos e Ações Imediatas
Com a regulamentação em andamento, empresas devem:
- Até março/2024: Acompanhar a apresentação dos projetos de lei (PLP 68/24 e outros) para identificar regras específicas do IBS, CBS e IS.
- 2024-2025: Revisar contratos e sistemas para adequação à não-cumulatividade plena, especialmente em setores com regimes específicos (saúde, educação, alimentos).
- 2026: Preparar-se para a entrada em vigor do IBS e CBS, com foco em fluxo de caixa e gestão de créditos tributários.
Conclusão: Cashback como Moeda de Troca Fiscal
A promessa de cashback no novo sistema tributário não é garantida. Como resumiu Appy: "O mundo ideal seria uma alíquota uniforme e cashback amplo, mas a reforma aprovada já prevê exceções (saúde, educação, cesta básica) que limitam o espaço fiscal". Para empresas, isso significa:
- Priorizar compliance na transição para o IBS e CBS, mesmo sem certeza sobre desonerações.
- Monitorar as negociações no Congresso, especialmente em setores como saneamento e energia, onde o cashback pode ser a única alternativa para evitar aumento de tarifas.
- Revisar estratégias de pricing e contratos de longo prazo, considerando a possibilidade de incidência do Imposto Seletivo em commodities.
Nota do Editor: A regulamentação da reforma tributária é um processo dinâmico. Empresas que anteciparem a análise de impacto e a adaptação de sistemas terão vantagem competitiva na transição para o novo regime.


